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Você nem esperou o ano terminar. foi logo me dando a notícia da sua saída total da minha vida, e agora fica um vazio. um enorme quarto vazio, com uma cama vazia e o meu corpo sobre ela. ao meu redor o que me preenche? mais espaços vazios. eu já havia me acostumado com eles, já havia me acostumado a viver sem a sua presença costante ali. mas as marcas da sua mão sobre o meu corpo ainda permaneceram aqui. e isso talvez seja o que mais arde e dói em mim. a lembrança sutil da sua presença em minha vida. o simples respirar próximo dos ouvidos. foi assim que você foi embora, ao pé do ouvido cansado desta vida ingrata. eu mais cansada ainda havia desistido de lutar há muito tempo. e todos os amores foram embora. e todas as dores foram embora e tudo que resta agora é o vazio. um novo coração para ser preeenchido de um amor que eu já não reconheço mais. um sentimento tão vazio quanto este quarto, tão vazio quanto a minha alma. sentada na cama sem lágrimas, sem vestigios reais de sua presença existe um conforto quase mentiroso, um conforto parecido com uma justificativa. só uma justificativa para passar mais desapercebido este momento. e vou ficando ali no quarto, sentada na cama tentando me acostumar com as portas fechadas e você longe da minha vida.
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chove demais quando eu escrevo. o tempo do lado de fora da janela parece traduzir o que habita dentro do peito. chove tanto que todos os sentimentos ficam transbordados. inundados. exageradamente molhados pulsando dentro de mim. não há espaços vazios. todos os espaços são ocupados. pelo mal humor, pelo mau amor. com falsas e verdadeiras dores. existem mentiras demais no que escrevo. cartas vazias. remetentes inexistente. as coisas estão sempre pela metade. as palavras nunca são ditas por inteiro.eu sou só metade quando escrevo. uma parte que dilacera. não existem amores perfeitos dentro de mim. quando rabisco. sobram músicas tristes, baladas infelizes de alguém que dança sozinha no escuro do quarto. não existem palavras com sentido. há exagero demais no que escrevo. tempestades que trovejam dentro de mim. meu silêncio? não existe, apenas gritos. berros. palavrões. há mentiras demais. medos demais. desejos demais. vontades demasiadamente grandes. tão grandes que não cabem em mim. e transbordam como a chuva do lado de fora da janela do quarto.
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Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez, a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar.
Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender, coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.
Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os nossos corpos se tocam, respiramos confusos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio.
Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.
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dramatis literae
Ele – sim, criar da tesao
Ela – exatamnete como vc.
Ele: eu crio?
Ela: não, vc dá tesão
Ele: Você também dá
Você me dá tesão. não dos poucos. em doses cavalares. há muito tempo. e depois que fiz o que fiz. cheguei até perder o sono. confessei aos poucos. baixinho na timidez de um computador o que sentia por você. sentia sem ao menos sentir sua mão vagarosamente em meu rosto. ou um beijo demorado. longo. daqueles em que a morte instantânea do ar se torna macia e deliciosa. não queria que fosse assim. poderia ter sido no café. com você me comendo com os olhos. e eu saciando uma sede vascular. podia ter sido no meio de uma tarde, com qualquer coisa no som e nos ouvindo em silêncio. ouvir o que o corpo pede (melhor dizer clama) parei pra pensar no toque suave de suas mãos. que gosto tem tua boca? passei horas outro dia pensando. maldade pensar. e seu nome na lista dos conectados no msn. janela. eu queria mesmo é uma janela pra estar ai. bem próximo, tão próximo que o meu corpo é o seu corpo encostado no meu. maldito tempo e distância (ou melhor timidez) e você ali, parado na mesa do lado tomando sopa pelos dentinhos da frente. eu na outra ponta. observando. certeza? nenhuma, e se não for, pago o mico? Pago. Não pago? Indecisão geminiana terrível. queria você próximo dos meus quadrantes, queria você esquentando o corpo nesta tarde fria e chuvosa de São Paulo.
Romper por necessidade
Romper por que é inevitável
Romper um vicio.
Romper um vinculo
Romper a necessidade.
Romper por querer
Romper pela fragilidade
Romper pela experiência.
Romper pelo inconfundível desejo
Pela própria demência
Romper por prazer
Por temer
Por qualquer coisa
Para quebrar uma rotina
Ter de seguir uma outra estrada
Mudar o caminho.
Mudar a si próprio
Mudar quando não se quer.
Quando se quer
Ter de mudar.
Não querer mudar.
Com medo de perder
Perder tudo, o rumo, o prumo.
Até mesmo o sumo.
Romper pra perder
Porque perder é mais do que necessário
Perder por necessidade
Romper a esperança de seguir
Romper por saber que não irá durar
Acabar.
Perder não por que quer
Mas porque está no verbo: Precisar
Porque é a atitude mais madura a fazer.
Chorar por romper
Por perder
E saber que para mudar
É sempre necessário optar
Escolher.
E as escolhas nunca são fáceis
De se fazer.
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ele achou que eu fosse idiota. uma idiota qualquer com quem ele poderia farrear um pouco, tirar uma lasca sabe? achou que eu era a menininha que espera o príncipe encantado no cavalo branco. achou que pelos beijos e pelo largo abraço eu não iria perceber que ele estava sim me usando. coitado. ele achou. no fundo não percebeu que meus doces beijos molhados eram mais uma forma de saciar uma sede que em mim permanece viva: desejo. só o desejo. vontade de sentir prazer e só. nada mais. levantar, recompor, vestir-me e escafeder-se. Ele achou que eu esperaria telefonemas na tarde seguinte, papos longos no msn. achou errado. não suportaria bater longos papos no msn. sua safadeza me cansa, tanto quanto seus trocadilhos ordináriamente comuns. o telefonema na tarde seguinte só me lembraria do detalhe: não quero pertencer a ninguém. não posso. sou larga e espaçosa demais para caber em seus braços baby. ele achou que o que eu queria era subir mais uma vez no seu apartamento e gastar o desejo, achou errado, eu só queria pegar meu cd e ouvir aquela canção toda minha. achou que eu me apaixonaria, só esqueci de dizer que não acredito mais em amor, muito menos esse, que você insiste em me dar por conta de uns beijos trocados, de uma carícia maldita.
mexo os pés. eles costumam ficar emaranhados na sobra do edredon no fim da cama. abro aos poucos os olhos. e penso em qualquer besteira. hoje penso que as escolhas são difíceis de fazer. tem um livro em cima do móvel. só pela cor já sei qual é. andei perdida dentro desta literatura pouco conhecida. Lis no peito. aos poucos vou me refazendo pro mundo. quero mais quinze minutos na cama. e ninguém nela. para eu me espreguiçar, espreguiçar..acordar…um beijo por favor? nada. o que me acorda é alguém que passa na porta dizendo – Vanessa, 06h30. Acordo. Levando e vou direto pro banheiro. nem olho no espelho, não quero me assustar tão cedo. Roupas a escolher, cabelos a arrumar, qual o brinco, qual o sapato. Abro a janela e Joss Stone soa I hope you understand. Neste momento se alguém me visse não entenderia nada. quero a cama novamente. poderia estar num pub irlândes e Joss tocando..alguns amigos se embebedando e eu me perdendo na língua gostosa de um desconhecido. nada disso. estou no meu quarto. abro a janela seminua. do quinto andar ninguém me vê. o vento gelado me recorda que estamos numa meia estação. nem para ser uma inteira poxa? meia soa tão imparcial. metades inteiras. termino de me arrumar e Joss vai dando adeus ao som. E eu vou dando adeus ao meu sono íngreme nesta manhã cinzenta.
eu dancei. como se este moviemento tivesse me feito renascer. pausei sobre meus dedos dos pés e ajeitei o corpo, mesmo mal equilibrado. mantive uma respiração desesperada, quase que controlada….pelo desespero. dancei como se habitassem em mim mil canções. como se só com as as mãos eu pudesse ditar o ritmo das batidas. e haviam muitas batidas fora as do coração. eis que juntei uma mão com a outra e bati tentando surtir a disritmia do meu peito. cansada não fiquei. então veio o punk. o funk. e na batida seguinte a lambada francesa, o tal do zouk. escorreguei no chão com sensualidade e balancei a cabeça com leveza. vi meus cabelos dançarem também. agora eu era toda música. toda ritmo. por segundos me despertei da euforia e caminhei para um certo estado de lamúria, onde de lá um tango entoou e acabei rasgando o peito. dentro de toda a minha dança encontrei o samba, o coco, xaxado. encontrei a valsa. Dentro do corpo suado, enfim achei um novo ser. que habitava lá no fundo de um dos meus pensamentos em vibratto esplêndido. e este ocupava e culpava alguns espaços quietos que invadidos dançaram também. novamente me pus a dançar. como se pudesse arrancar todos os medos, fui flashdance. fui uma baiana de escola de samba. girando. girando. sem ficar tonta e nem perder o torpor. no canto calada, perdida uma adolescente em mim decidiu ir pra balada ao som das batidas inquietas do chamado drum’ base. quase deixei de ser eu mesma, para ser milhões de meninas que queriam tanto dançar. e dancei..chorei até porque a dança tocou meu coração. encheu o meu peito e transbordou meus olhos. silenciei. parei. e mesmo sem nada. o meu corpo dançava. nas batidas do meu coração.
tem dias que fico aqui sentada, enquanto o trabalho voa, vou me despertando aos poucos pro mundo. uso óculos escuros, pois a tela do computador me incomoda. quero ir embora. pra onde? não sei..talvez pro mundo. acesso alguns sites. solto gargalhadas. estou lendo o edu e alguns outros autores. releio alguns textos interessantes. os emails não chegam. entre um telefonema e outro todos os sentimentos pelos meus poros. dou mais risadas. daqui a pouco converso comigo mesma. estou tomando algumas decisões enquanto meu corpo decide se é corpo ou saco de batatas. não me visto bem ultimamente. pareço um moleque perdido de rua. mas ao mesmo tempo meu cabelo é lindo. ando desarmada e amada demais. muitas pessoas querendo só me comer. ontem almocei com um, e depois jantei com outro. na verdade ele quase me jantou. mas eu não deixei. fiquei pasma agora com isso. depois de um tempo o prazer vem em doses cavalares. ou não. senti o gosto da boca de um dos rolos do final de semana. e o veneno nos olhos depois de ver aquele fulano com a outra fulana. ando. o dia todo. mesmo sentada estou caminhando. mexo os pés. chegou a hora de cantar. por favor uma jukebox decente. nada. músicas velhas, empacotadas. amores perdidos. sozinha vou escrevendo este post sem fim. viajo na maionese. a vontade que tenho? de gritar..ou de permanecer deitada no sol por um tempo. mas e o calor? vamos a praia. não. tira a saia. não. mão aqui. ali. mais pensamentos obscenos. pra onde vou? não sei. e vc? porque é que ainda não foi ler algo mais interessante…
as vezes eu me perco. percorro. transporto. capiciosamente me desfaço. corro pelo seu universo. as vezes sou arma. que atira sem pensar. sou a dor do parto. as vezes sou silêncio. sou cadência desmedida. lágrima corrompida. as vezes não sei o que sou. e peço para não saber. peco para não sangrar. desmaio para entender. as vezes sou sono. raio de sol. janela indiscreta. não quero nada. e ao mesmo tempo tudo. sou muito daquilo que quero ser. pouco daquilo que deveria. não me pertenço. e nem pertenço a ninguém. as vezes quero ser a criança sem medo. o gato com sono. quero ser o cão tomando sol. as vezes mulher meretriz, santa de altar. as vezes nada. na maior parte das vezes eu não quero ser. mas sim sentir. vibrar. cantar. gritar. si-len-ci-ar. as vezes eu quero só a morte. mas também desejo ardilosamente a vida”