Arquivado em: amores correlatos, coisas erradas, cotidiano, manhãs desarmadas
ele achou que eu fosse idiota. uma idiota qualquer com quem ele poderia farrear um pouco, tirar uma lasca sabe? achou que eu era a menininha que espera o príncipe encantado no cavalo branco. achou que pelos beijos e pelo largo abraço eu não iria perceber que ele estava sim me usando. coitado. ele achou. no fundo não percebeu que meus doces beijos molhados eram mais uma forma de saciar uma sede que em mim permanece viva: desejo. só o desejo. vontade de sentir prazer e só. nada mais. levantar, recompor, vestir-me e escafeder-se. Ele achou que eu esperaria telefonemas na tarde seguinte, papos longos no msn. achou errado. não suportaria bater longos papos no msn. sua safadeza me cansa, tanto quanto seus trocadilhos ordináriamente comuns. o telefonema na tarde seguinte só me lembraria do detalhe: não quero pertencer a ninguém. não posso. sou larga e espaçosa demais para caber em seus braços baby. ele achou que o que eu queria era subir mais uma vez no seu apartamento e gastar o desejo, achou errado, eu só queria pegar meu cd e ouvir aquela canção toda minha. achou que eu me apaixonaria, só esqueci de dizer que não acredito mais em amor, muito menos esse, que você insiste em me dar por conta de uns beijos trocados, de uma carícia maldita.
mexo os pés. eles costumam ficar emaranhados na sobra do edredon no fim da cama. abro aos poucos os olhos. e penso em qualquer besteira. hoje penso que as escolhas são difíceis de fazer. tem um livro em cima do móvel. só pela cor já sei qual é. andei perdida dentro desta literatura pouco conhecida. Lis no peito. aos poucos vou me refazendo pro mundo. quero mais quinze minutos na cama. e ninguém nela. para eu me espreguiçar, espreguiçar..acordar…um beijo por favor? nada. o que me acorda é alguém que passa na porta dizendo – Vanessa, 06h30. Acordo. Levando e vou direto pro banheiro. nem olho no espelho, não quero me assustar tão cedo. Roupas a escolher, cabelos a arrumar, qual o brinco, qual o sapato. Abro a janela e Joss Stone soa I hope you understand. Neste momento se alguém me visse não entenderia nada. quero a cama novamente. poderia estar num pub irlândes e Joss tocando..alguns amigos se embebedando e eu me perdendo na língua gostosa de um desconhecido. nada disso. estou no meu quarto. abro a janela seminua. do quinto andar ninguém me vê. o vento gelado me recorda que estamos numa meia estação. nem para ser uma inteira poxa? meia soa tão imparcial. metades inteiras. termino de me arrumar e Joss vai dando adeus ao som. E eu vou dando adeus ao meu sono íngreme nesta manhã cinzenta.
eu dancei. como se este moviemento tivesse me feito renascer. pausei sobre meus dedos dos pés e ajeitei o corpo, mesmo mal equilibrado. mantive uma respiração desesperada, quase que controlada….pelo desespero. dancei como se habitassem em mim mil canções. como se só com as as mãos eu pudesse ditar o ritmo das batidas. e haviam muitas batidas fora as do coração. eis que juntei uma mão com a outra e bati tentando surtir a disritmia do meu peito. cansada não fiquei. então veio o punk. o funk. e na batida seguinte a lambada francesa, o tal do zouk. escorreguei no chão com sensualidade e balancei a cabeça com leveza. vi meus cabelos dançarem também. agora eu era toda música. toda ritmo. por segundos me despertei da euforia e caminhei para um certo estado de lamúria, onde de lá um tango entoou e acabei rasgando o peito. dentro de toda a minha dança encontrei o samba, o coco, xaxado. encontrei a valsa. Dentro do corpo suado, enfim achei um novo ser. que habitava lá no fundo de um dos meus pensamentos em vibratto esplêndido. e este ocupava e culpava alguns espaços quietos que invadidos dançaram também. novamente me pus a dançar. como se pudesse arrancar todos os medos, fui flashdance. fui uma baiana de escola de samba. girando. girando. sem ficar tonta e nem perder o torpor. no canto calada, perdida uma adolescente em mim decidiu ir pra balada ao som das batidas inquietas do chamado drum’ base. quase deixei de ser eu mesma, para ser milhões de meninas que queriam tanto dançar. e dancei..chorei até porque a dança tocou meu coração. encheu o meu peito e transbordou meus olhos. silenciei. parei. e mesmo sem nada. o meu corpo dançava. nas batidas do meu coração.
tem dias que fico aqui sentada, enquanto o trabalho voa, vou me despertando aos poucos pro mundo. uso óculos escuros, pois a tela do computador me incomoda. quero ir embora. pra onde? não sei..talvez pro mundo. acesso alguns sites. solto gargalhadas. estou lendo o edu e alguns outros autores. releio alguns textos interessantes. os emails não chegam. entre um telefonema e outro todos os sentimentos pelos meus poros. dou mais risadas. daqui a pouco converso comigo mesma. estou tomando algumas decisões enquanto meu corpo decide se é corpo ou saco de batatas. não me visto bem ultimamente. pareço um moleque perdido de rua. mas ao mesmo tempo meu cabelo é lindo. ando desarmada e amada demais. muitas pessoas querendo só me comer. ontem almocei com um, e depois jantei com outro. na verdade ele quase me jantou. mas eu não deixei. fiquei pasma agora com isso. depois de um tempo o prazer vem em doses cavalares. ou não. senti o gosto da boca de um dos rolos do final de semana. e o veneno nos olhos depois de ver aquele fulano com a outra fulana. ando. o dia todo. mesmo sentada estou caminhando. mexo os pés. chegou a hora de cantar. por favor uma jukebox decente. nada. músicas velhas, empacotadas. amores perdidos. sozinha vou escrevendo este post sem fim. viajo na maionese. a vontade que tenho? de gritar..ou de permanecer deitada no sol por um tempo. mas e o calor? vamos a praia. não. tira a saia. não. mão aqui. ali. mais pensamentos obscenos. pra onde vou? não sei. e vc? porque é que ainda não foi ler algo mais interessante…