mexo os pés. eles costumam ficar emaranhados na sobra do edredon no fim da cama. abro aos poucos os olhos. e penso em qualquer besteira. hoje penso que as escolhas são difíceis de fazer. tem um livro em cima do móvel. só pela cor já sei qual é. andei perdida dentro desta literatura pouco conhecida. Lis no peito. aos poucos vou me refazendo pro mundo. quero mais quinze minutos na cama. e ninguém nela. para eu me espreguiçar, espreguiçar..acordar…um beijo por favor? nada. o que me acorda é alguém que passa na porta dizendo – Vanessa, 06h30. Acordo. Levando e vou direto pro banheiro. nem olho no espelho, não quero me assustar tão cedo. Roupas a escolher, cabelos a arrumar, qual o brinco, qual o sapato. Abro a janela e Joss Stone soa I hope you understand. Neste momento se alguém me visse não entenderia nada. quero a cama novamente. poderia estar num pub irlândes e Joss tocando..alguns amigos se embebedando e eu me perdendo na língua gostosa de um desconhecido. nada disso. estou no meu quarto. abro a janela seminua. do quinto andar ninguém me vê. o vento gelado me recorda que estamos numa meia estação. nem para ser uma inteira poxa? meia soa tão imparcial. metades inteiras. termino de me arrumar e Joss vai dando adeus ao som. E eu vou dando adeus ao meu sono íngreme nesta manhã cinzenta.
2 Comentários até o momento
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tem manhãs que são assim mesmo. bj’s
Comentário por aespecialista Outubro 27, 2006 @ 8:42 pmTá aí um texto bem escrito: palavras bem dispostas nos dá uma sensação de movimento. Chego a sentir o cheiro da manhã solitária!
Parabéns!!!
um beijo
Comentário por Lia Winter Outubro 30, 2006 @ 6:00 pm