Arquivado em: coisas erradas, cotidiano, distâncias, esquinas, transbordos internos
chove demais quando eu escrevo. o tempo do lado de fora da janela parece traduzir o que habita dentro do peito. chove tanto que todos os sentimentos ficam transbordados. inundados. exageradamente molhados pulsando dentro de mim. não há espaços vazios. todos os espaços são ocupados. pelo mal humor, pelo mau amor. com falsas e verdadeiras dores. existem mentiras demais no que escrevo. cartas vazias. remetentes inexistente. as coisas estão sempre pela metade. as palavras nunca são ditas por inteiro.eu sou só metade quando escrevo. uma parte que dilacera. não existem amores perfeitos dentro de mim. quando rabisco. sobram músicas tristes, baladas infelizes de alguém que dança sozinha no escuro do quarto. não existem palavras com sentido. há exagero demais no que escrevo. tempestades que trovejam dentro de mim. meu silêncio? não existe, apenas gritos. berros. palavrões. há mentiras demais. medos demais. desejos demais. vontades demasiadamente grandes. tão grandes que não cabem em mim. e transbordam como a chuva do lado de fora da janela do quarto.
3 Comentários até o momento
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A pior chuva é a que cai dentro de nós.
Uma boa semana.
Comentário por Raquel Moniz Novembro 12, 2006 @ 10:59 pminspirado em um texto meu?
“chove demais no que eu escrevo. não há espaço para céu limpo. a cidade é sempre cinza. os muros sempre sujos. o vento sempre leva alguma coisa. os cabelos. um papel. a barra de um vestido. as folhas da calçada. há dores demais no que eu escrevo. não existem amores perfeitos. as fotos estão sempre rasgadas. as frases no avesso. na cama, sempre sobra um maldito travesseiro. no som, apenas os discos úmidos. que rodam. e rodam. ecoando pelo apartamento suas letras tristes. rimas imperfeitas. há exagero demais no que escrevo. tempestades em copos pequenos. gritos. berros. palavrões. os arranhões são sempre rasgos. enormes. de ponta a ponta. abrindo o corpo pra que me enxerguem por dentro. roubem o que tenho escondido. me dissequem. há mentiras demais. medos demais. talvez seja preciso usar outra vida naquilo que escrevo. não a minha. por aqui, chove demais.”
http://coisasdagaveta.blogspot.com
Comentário por Eduardo Novembro 22, 2006 @ 8:25 pmé que há trechos exatamente iguais.
Comentário por Eduardo Novembro 22, 2006 @ 8:33 pmachei ‘inspiração’ demais.