Heteronimos Mestiços


portas fechadas

Você nem esperou o ano terminar. foi logo me dando a notícia da sua saída total da minha vida, e agora fica um vazio. um enorme quarto vazio, com uma cama vazia e o meu corpo sobre ela. ao meu redor o que me preenche? mais espaços vazios. eu já havia me acostumado com eles, já havia me acostumado a viver sem a sua presença costante ali. mas as marcas da sua mão sobre o meu corpo ainda permaneceram aqui. e isso talvez seja o que mais arde e dói em mim. a lembrança sutil da sua presença em minha vida. o simples respirar próximo dos ouvidos. foi assim que você foi embora, ao pé do ouvido cansado desta vida ingrata. eu mais cansada ainda havia desistido de lutar há muito tempo. e todos os amores foram embora. e todas as dores foram embora e tudo que resta agora é o vazio. um novo coração para ser preeenchido de um amor que eu já não reconheço mais.  um sentimento tão vazio quanto este quarto, tão vazio quanto a minha alma. sentada na cama sem lágrimas, sem vestigios reais de sua presença existe um conforto quase mentiroso, um conforto parecido com uma justificativa. só uma justificativa para passar mais desapercebido este momento. e vou ficando ali no quarto, sentada na cama tentando me acostumar com as portas fechadas e você longe da minha vida.




Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.