Filed under: amores correlatos, beijos, descrições, detalhes, vontades meliantes
Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez, a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar.
Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender, coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.
Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os nossos corpos se tocam, respiramos confusos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio.
Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.
Romper por necessidade
Romper por que é inevitável
Romper um vicio.
Romper um vinculo
Romper a necessidade.
Romper por querer
Romper pela fragilidade
Romper pela experiência.
Romper pelo inconfundível desejo
Pela própria demência
Romper por prazer
Por temer
Por qualquer coisa
Para quebrar uma rotina
Ter de seguir uma outra estrada
Mudar o caminho.
Mudar a si próprio
Mudar quando não se quer.
Quando se quer
Ter de mudar.
Não querer mudar.
Com medo de perder
Perder tudo, o rumo, o prumo.
Até mesmo o sumo.
Romper pra perder
Porque perder é mais do que necessário
Perder por necessidade
Romper a esperança de seguir
Romper por saber que não irá durar
Acabar.
Perder não por que quer
Mas porque está no verbo: Precisar
Porque é a atitude mais madura a fazer.
Chorar por romper
Por perder
E saber que para mudar
É sempre necessário optar
Escolher.
E as escolhas nunca são fáceis
De se fazer.
Filed under: amores correlatos, coisas erradas, cotidiano, manhãs desarmadas
ele achou que eu fosse idiota. uma idiota qualquer com quem ele poderia farrear um pouco, tirar uma lasca sabe? achou que eu era a menininha que espera o príncipe encantado no cavalo branco. achou que pelos beijos e pelo largo abraço eu não iria perceber que ele estava sim me usando. coitado. ele achou. no fundo não percebeu que meus doces beijos molhados eram mais uma forma de saciar uma sede que em mim permanece viva: desejo. só o desejo. vontade de sentir prazer e só. nada mais. levantar, recompor, vestir-me e escafeder-se. Ele achou que eu esperaria telefonemas na tarde seguinte, papos longos no msn. achou errado. não suportaria bater longos papos no msn. sua safadeza me cansa, tanto quanto seus trocadilhos ordináriamente comuns. o telefonema na tarde seguinte só me lembraria do detalhe: não quero pertencer a ninguém. não posso. sou larga e espaçosa demais para caber em seus braços baby. ele achou que o que eu queria era subir mais uma vez no seu apartamento e gastar o desejo, achou errado, eu só queria pegar meu cd e ouvir aquela canção toda minha. achou que eu me apaixonaria, só esqueci de dizer que não acredito mais em amor, muito menos esse, que você insiste em me dar por conta de uns beijos trocados, de uma carícia maldita.