Heteronimos Mestiços


loucura
outubro 11, 2006, 5:04 pm
Filed under: Crônicas, Egoblogger, Relatos

tem dias que fico aqui sentada, enquanto o trabalho voa, vou me despertando aos poucos pro mundo. uso óculos escuros, pois a tela do computador me incomoda. quero ir embora. pra onde? não sei..talvez pro mundo. acesso alguns sites. solto gargalhadas. estou lendo o edu e alguns outros autores. releio alguns textos interessantes. os emails não chegam. entre um telefonema e outro todos os sentimentos pelos meus poros. dou mais risadas. daqui a pouco converso comigo mesma. estou tomando algumas decisões enquanto meu corpo decide se é corpo ou saco de batatas. não me visto bem ultimamente. pareço um moleque perdido de rua. mas ao mesmo tempo meu cabelo é lindo. ando desarmada e amada demais. muitas pessoas querendo só me comer. ontem almocei com um, e depois jantei com outro. na verdade ele quase me jantou. mas eu não deixei. fiquei pasma agora com isso.  depois de um tempo o prazer vem em doses cavalares. ou não. senti o gosto da boca de um dos rolos do final de semana. e o veneno nos olhos depois de ver aquele fulano com a outra fulana. ando. o dia todo. mesmo sentada estou caminhando. mexo os pés. chegou a hora de cantar. por favor uma jukebox decente. nada. músicas velhas, empacotadas. amores perdidos. sozinha vou escrevendo este post sem fim. viajo na maionese. a vontade que tenho? de gritar..ou de permanecer deitada no sol por um tempo. mas e o calor? vamos a praia. não. tira a saia. não. mão aqui. ali. mais pensamentos obscenos. pra onde vou? não sei. e vc? porque é que ainda não foi ler algo mais interessante…



Ana Lúcia e Jorge
setembro 27, 2006, 4:10 pm
Filed under: Crônicas, Egoblogger

Ana Lúcia estava a beira do poço de um desejo. Sentia-se com o pensamento amarrado, emaranhado em congluências infinitas. Sentia-se como infinitas borboletas dentro do estômago, perdidas, debatendo-se para achar a saída. Como se fosse sucumbir ao seu desejo. Mas estava parada. Observava seu desejo e fazia com que o sentimento todo expandisse pelo seu corpo. Era uma única sensação, que não durava nada, nem mesmo um milésimo de segundo. E Jorge estava ali. deliberadamente sentado escutando um som qualquer. Estava apoiado no tronco da árvore, apoiando a vida no colo. Lendo algo qualquer. Mal sabia ele o que causava em Ana Lúcia. O que Jorge sabia é que havia optado em ser um fruto da árvore vida. Gostava de saber que estava vivendo. Provava todas as bocas e salivas que almejava. Não disperdiçava nada. Estava lá saboreando a manhã em que estivera com Renata. Jorge queria ser devorado enquanto estivesse maduro. Era como o suco da fruta que escorre pela lateral do lábio das fêmeas que agora lhe vinham na cabeça. Nenhuma gota desperdiçada. Provar da vida. Sugar tudo que ela podia lhe conceder. Ana quase desejava provar o gosto do fruto. Quase. Era doce demais perdurar aquele momento pra sempre. Estar diante do desejo e lhe corromper. Não ceder. Estar diante do desejo e provocar seu corpo. Como o segundo que antecede todos os beijos. Antes de concluir-se, podia provar da arte finita, poderia simplesmente vibrar, cantar e estremecer pela última vez seus flagelos. era assim que sentia-se. E Jorge queria ser devorado, antes de apodrecer lentamente pendurado num galho qualquer da árvore chamada vida.




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